
Comunicação e Educação em diálogo
O ComuEduca é um portal acadêmico-jornalístico criado para divulgar produções, entrevistas, matérias especiais e acervos digitais. A proposta é aproximar comunicação, educação, cultura e sociedade por meio de conteúdos autorais e multimídia. O projeto nasceu do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Isabelle Neyara Lima da Silva, aluna do curso de Jornalismo, da Universidade Federal do Piauí - UFPI, orientada pela Prof. Drª Cristiane Portela de Carvalho, em 2026.
Áreas do Portal

Educomunicação
Descubra um pouco sobre o que é Educomunicação. Saiba sobre o termo, características e aplicações.
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Entrevistas
Aprenda sobre temas atuais com especialistas das áreas, de forma aprofundada.
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Acervo
Galeria multimídia com conteúdos e projetos produzidos ao longo da graduação.
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Saiba Mais
Aqui você encontra informações detalhadas sobre os temas apresentados e encontra dicas para por na prática os ensinamentos.
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Dicas para enfrentar crises de ansiedade e estresse emocional
Momentos de ansiedade intensa e estresse emocional podem afetar a rotina, a concentração e o bem-estar emocional. Nessas situações, algumas estratégias simples podem ajudar a reduzir os sintomas e trazer mais sensação de controle. De acordo com o psicólogo Tyrone Miranda, procurar um local mais calmo e conversar com alguém de confiança são atitudes importantes durante uma crise emocional. Exercícios de respiração, redução de estímulos e práticas de autocuidado também podem ajudar o corpo e a mente a desacelerar. Outras técnicas simples incluem: ● desenhar, escrever ou ouvir música; ● focar em objetos e detalhes do ambiente; ● listar elementos ao redor para organizar os pensamentos; ● utilizar estratégias de regulação emocional, como segurar gelo. Essas práticas podem auxiliar em momentos emergenciais e ajudam a aliviar a ansiedade temporariamente. No entanto, Tyrone reforça que, quando os sintomas se tornam frequentes ou intensos, é importante buscar acompanhamento psicológico e apoio profissional adequado.
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Dicas para atuar na comunicação popular
A comunicação popular vem ganhando força entre jovens que desejam transformar suas comunidades por meio da informação, da escuta e da participação coletiva. Produzir conteúdos comunitários vai além de divulgar notícias: é uma forma de dar visibilidade às histórias, desafios e potências do território. O jornalista Luan Matheus Santana destaca que o primeiro passo é observar a realidade ao redor e ouvir atentamente as pessoas da comunidade. Segundo ele, utilizar uma linguagem simples, acolhedora e próxima do cotidiano ajuda a fortalecer o diálogo e aproximar os moradores das pautas locais. Entre as principais orientações para quem deseja atuar no jornalismo popular estão: ● valorizar experiências e memórias locais; ● usar as redes sociais digitais como ferramentas de mobilização; ● estudar educação midiática e combate à desinformação; ● trabalhar de forma coletiva; ● respeitar as pessoas retratadas nas histórias. Na prática, jovens comunicadores podem começar criando grupos de diálogo, identificando problemas do bairro e registrando histórias da comunidade com ferramentas acessíveis, como WhatsApp e redes sociais digitais. Também é importante destacar artistas, lideranças e iniciativas locais, construindo conteúdos junto com os moradores. A comunicação popular fortalece a participação social e contribui para que diferentes vozes sejam ouvidas dentro da comunidade.
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Educomunicação amplia formas de aprendizagem no Brasil e fortalece o protagonismo estudantil
A integração entre educação e comunicação tem ganhado cada vez mais espaço nas salas de aula brasileiras. Conhecida como Educomunicação, essa abordagem propõe transformar alunos, professores e comunidades em protagonistas do processo educativo, indo além do papel tradicional de telespectadores de informação. A Educomunicação se consolida como uma metodologia que une práticas pedagógicas e ferramentas comunicativas de forma orgânica. Na prática, isso significa que os estudantes deixam de apenas consumir conteúdos e passam a produzir conhecimento por meio de diferentes ferramentas midiáticas, como podcasts e vídeos, que serão veiculadas em diferentes meios, como rádio, televisão e internet. De acordo com a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPPEducom), a Educomunicação reúne um conjunto de referências voltadas à criação e ao fortalecimento de ambientes comunicativos abertos e democráticos dentro do contexto educacional. A proposta inclui a gestão compartilhada de linguagens, tecnologias e recursos de comunicação, incentivando a expressão e o protagonismo dos indivíduos. A ABPPEducom aponta que a principal contribuição dessa abordagem está no desenvolvimento do chamado “coeficiente comunicativo”, que é a capacidade de se expressar de forma clara, crítica e eficaz utilizando diferentes meios. Além disso, a Educomunicação também estimula a leitura crítica da mídia, o uso consciente da informação e o diálogo colaborativo. No Brasil, a área da Educomunicação já apresenta avanços significativos, com reconhecimento acadêmico, produção científica e políticas públicas voltadas à área. Um dos exemplos é o projeto “Imprensa Jovem”, criado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que incentiva estudantes a produzirem conteúdo jornalístico dentro das escolas. No Piauí, iniciativas recentes indicam um cenário promissor. Programas como o II STEAM Tech Camp Piauí têm capacitado professores e incentivado metodologias voltadas ao protagonismo estudantil e à interação com tecnologias. Outro destaque é o Projeto Jovens Radialistas do Semiárido, que utiliza o rádio como ferramenta de desenvolvimento local e inclusão social de jovens. A UFPI também tem contribuído com pesquisas na área. Estudos conduzidos pela professora Patrícia Maria Martins Nápolis, em parceria com a graduanda Jociara Pinheiro Luz, utilizam a rádio universitária como meio de difusão científica, trazendo temas como tecnologia e inovação para o dia-a-dia da população ouvinte. Experiências como essas representam avanços importantes rumo à consolidação da Educomunicação no Piauí, ainda que desafios estruturais, como acesso à internet e inclusão digital, persistam. Aplicações práticas em sala de aula A Educomunicação se traduz em diversas práticas no ambiente escolar. Entre elas estão a criação de rádios escolares, onde alunos produzem programas e entrevistas; podcasts com debates e reflexões; produção de vídeos sobre temas sociais e culturais; jornais murais com notícias e textos autorais; além do uso de blogs e redes sociais educativas. Essas iniciativas transformam a sala de aula em um espaço dinâmico de produção e troca de conhecimento, incentivando a criatividade, o pensamento crítico e a participação ativa dos estudantes. Internet amplia possibilidades Com o avanço das tecnologias digitais, a internet se tornou uma das principais aliadas da Educomunicação. Plataformas online permitem que estudantes assumam o papel de criadores de conteúdo, utilizando redes sociais e sites como ferramentas pedagógicas. É nesse ambiente que a comunicação acontece de forma colaborativa, promovendo a troca de saberes e o trabalho coletivo. Além disso, o uso da internet contribui para o desenvolvimento da autonomia dos alunos, que passam a interpretar, questionar e refletir sobre as informações que consomem. Ao estimular a participação ativa e o pensamento crítico, a Educomunicação se firma como uma estratégia relevante para a formação de cidadãos mais conscientes, criativos e preparados para os desafios da sociedade contemporânea.
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Educomunicação transforma práticas em sala de aula e estimula protagonismo estudantil
A adoção de práticas educomunicativas nas escolas brasileiras tem promovido mudanças significativas na forma como o ensino e a aprendizagem acontecem. Ao integrar ferramentas de comunicação ao cotidiano escolar, a educomunicação transforma a sala de aula em um ambiente dinâmico, colaborativo e centrado no protagonismo dos estudantes. A proposta vai além do uso de tecnologias: trata-se de uma mudança de postura pedagógica. Em vez de apenas receber conteúdos, os alunos passam a produzir informação, exercitando habilidades como escrita, argumentação, criatividade e pensamento crítico. Professores, por sua vez, assumem o papel de mediadores, orientando a construção coletiva do conhecimento. Entre as aplicações práticas mais comuns está a rádio escolar, onde estudantes produzem programas, realizam entrevistas e compartilham notícias da comunidade. A atividade estimula a oralidade, a organização de ideias e o trabalho em equipe, além de aproximar a escola da realidade local. Outra ferramenta amplamente utilizada é o podcast educativo, formato que vem ganhando popularidade por sua acessibilidade e flexibilidade. Nele, os alunos podem debater temas atuais, apresentar pesquisas e desenvolver narrativas, exercitando tanto a comunicação quanto a capacidade de análise crítica. A produção de vídeos também se destaca como estratégia pedagógica. Ao criar conteúdos audiovisuais sobre questões sociais, ambientais ou culturais, os estudantes desenvolvem competências técnicas e reflexivas, além de aprenderem a comunicar ideias de forma clara e objetiva. O jornal mural continua sendo uma prática relevante, especialmente em contextos com menor acesso à tecnologia. Produzido coletivamente, ele reúne textos, poesias, notícias e ilustrações, incentivando a expressão escrita e a valorização da produção autoral. Já os blogs e redes sociais educativas ampliam o alcance das atividades escolares, permitindo que os conteúdos produzidos em sala sejam compartilhados com a comunidade. Essas plataformas também contribuem para o desenvolvimento da escrita digital e da responsabilidade no uso da informação. Segundo pesquisadores da área, essas práticas fortalecem o chamado ecossistema comunicativo — conceito central da educomunicação que envolve a criação de ambientes abertos ao diálogo, à participação e à construção coletiva do saber. Para o pesquisador Ismar de Oliveira Soares, um dos principais nomes do campo no Brasil, a educomunicação promove a democratização da comunicação dentro dos espaços educativos, ampliando as possibilidades de expressão e aprendizagem. Além de contribuir para o desenvolvimento acadêmico, as práticas educomunicativas também têm impacto na formação cidadã. Ao aprenderem a produzir e interpretar conteúdos midiáticos, os estudantes se tornam mais críticos diante das informações que consomem, fortalecendo sua participação social. Apesar dos avanços, especialistas apontam desafios para a ampliação dessas iniciativas, como a necessidade de formação continuada de professores e a melhoria da infraestrutura tecnológica nas escolas. Ainda assim, experiências em diferentes regiões do país mostram que, mesmo com recursos limitados, é possível implementar práticas educomunicativas de forma criativa e eficaz.
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Internet amplia alcance da educomunicação e fortalece aprendizagem colaborativa
A popularização da internet tem impulsionado novas formas de ensinar e aprender, abrindo espaço para a consolidação da educomunicação no ambiente digital. Ao utilizar plataformas online como ferramentas pedagógicas, escolas e projetos educacionais têm transformado estudantes em produtores de conteúdo e agentes ativos na construção do conhecimento. Mais do que um meio de acesso à informação, a internet se apresenta como um espaço de interação, criação e compartilhamento. Nesse contexto, a educomunicação encontra um terreno fértil para desenvolver práticas que estimulam o protagonismo estudantil, a autonomia e o pensamento crítico. Ambientes virtuais como blogs, sites educativos e redes sociais permitem que alunos publiquem textos, vídeos, podcasts e outros formatos de conteúdo, ampliando o alcance das atividades realizadas em sala de aula. Essas práticas favorecem uma comunicação horizontal, em que todos participam do processo de aprendizagem, rompendo com o modelo tradicional centrado exclusivamente no professor. De acordo com o pesquisador Ismar de Oliveira Soares, a educomunicação se baseia na criação de ecossistemas comunicativos democráticos, onde a expressão e o diálogo são incentivados. No ambiente digital, esses ecossistemas se expandem, permitindo conexões que ultrapassam os limites físicos da escola. Além disso, o uso da internet contribui para o desenvolvimento da chamada educação midiática, que envolve a capacidade de analisar, interpretar e produzir conteúdos de forma crítica e responsável. Em um cenário marcado pela circulação intensa de informações, essa competência se torna essencial para a formação cidadã. Outro aspecto relevante é o estímulo à autoria. Ao produzir conteúdos digitais, os estudantes deixam de ser apenas consumidores e passam a exercer um papel ativo na construção do conhecimento. Essa mudança fortalece a autonomia, incentiva a criatividade e promove o engajamento com os temas estudados. No entanto, especialistas alertam que o uso da internet na educomunicação também exige cuidados. Questões como desinformação, segurança digital e desigualdade no acesso às tecnologias ainda representam desafios significativos. A chamada exclusão digital, por exemplo, limita a participação de estudantes que não possuem acesso adequado à internet ou a dispositivos tecnológicos. Para a UNESCO, iniciativas de educação midiática e informacional são fundamentais para preparar cidadãos capazes de lidar com os desafios do ambiente digital. A organização defende o uso crítico e ético das tecnologias como parte essencial dos processos educativos contemporâneos. No Brasil, experiências que integram educomunicação e internet têm se multiplicado, tanto em escolas quanto em projetos sociais. Plataformas digitais vêm sendo utilizadas para divulgar produções estudantis, promover debates e conectar comunidades, reforçando o papel da comunicação como ferramenta de transformação social. Apesar dos desafios estruturais, o avanço das tecnologias digitais indica que a educomunicação na internet tende a se expandir ainda mais nos próximos anos. Ao unir educação, comunicação e tecnologia, essa abordagem contribui para formar sujeitos mais críticos, participativos e preparados para atuar em uma sociedade cada vez mais conectada.
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Comunicação antirracista: educar, ouvir e transformar pela palavra
Em uma sociedade marcada historicamente pelo racismo estrutural, a comunicação tem um papel decisivo na construção de narrativas, representações e formas de convivência. Mais do que informar, comunicar também significa disputar sentidos, questionar desigualdades e transformar realidades. É nesse contexto que ganha força a comunicação antirracista, prática que busca combater o racismo por meio da linguagem, da escuta e da valorização das vozes negras. Mestra em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Piauí (PPGCOM/UFPI), a jornalista e pesquisadora Ohana Luize destaca que a comunicação antirracista vai além da teoria acadêmica. Trata-se de uma prática cotidiana e política, voltada para a construção de uma sociedade menos marcada pela exclusão racial, já que o antirracismo exige posicionamento. Comunicação como prática de transformação Segundo Ohana, a comunicação antirracista é uma prática questionadora, que busca analisar criticamente discursos, imagens, narrativas e relações de poder que reforçam desigualdades raciais. Na prática, isso significa refletir sobre aquilo que se comunica, as histórias que ganham espaço e os grupos sociais que são constantemente silenciados. Em um cenário marcado pelas redes sociais digitais e pela circulação acelerada de conteúdos digitais, a responsabilidade dos comunicadores se torna ainda maior. Para Ohana, a comunicação antirracista também atua no enfrentamento das violências simbólicas presentes no cotidiano e amplia as possibilidades de representação da população negra nos meios de comunicação. Uma das características do racismo no Brasil é sua presença em comportamentos considerados “normais”. Comentários, piadas e expressões aparentemente inofensivas podem carregar preconceitos históricos e reforçar estereótipos. A pesquisadora explica que essas práticas foram naturalizadas ao longo do tempo, mas seus efeitos continuam produzindo exclusão e violência. Ela cita o filósofo Michel Foucault para lembrar que onde existe poder também existe resistência. Nesse sentido, movimentos sociais, pesquisadores e comunicadores têm contribuído para denunciar essas formas sutis de racismo e conscientizar a população. “A comunicação antirracista também é educativa. Ela chama atenção para os comportamentos cotidianos e para aquilo que muitas vezes foi tratado como normal”, ressalta. Ohana palestra no evento Favela F5. Foto: Acervo Pessoal / Ohana Luize. A linguagem nunca é neutra Outro ponto central destacado por Ohana é o papel da linguagem na manutenção das desigualdades raciais. Segundo ela, palavras, imagens e discursos carregam valores culturais e históricos. No jornalismo e na comunicação, isso significa questionar como as pessoas negras são representadas nas narrativas midiáticas. Durante muito tempo, essas representações estiveram associadas a lugares de inferioridade, violência ou exclusão. Para a pesquisadora, a comunicação antirracista rompe com a ideia de neutralidade absoluta da linguagem e propõe uma revisão crítica das estruturas discursivas. “É preciso questionar por que pessoas negras aparecem sempre associadas aos mesmos lugares e construir outras formas de comunicação”, explica. A escuta ativa aparece como um dos pilares da comunicação antirracista. Para Ohana, não basta falar sobre racismo sem colocar pessoas negras no centro do debate. Isso envolve criar espaços de fala, acolher experiências e romper com o silenciamento histórico. Mais do que fontes de entrevistas, pessoas negras devem ocupar posições de protagonismo na produção de conteúdo, no jornalismo e na educação. A pesquisadora destaca ainda que a comunicação antirracista não deve focar apenas na dor, mas também nas potencialidades, histórias e conquistas da população negra. Ao comentar sobre situações de racismo em ambientes familiares, escolares ou profissionais, Ohana afirma que o silêncio diante da discriminação também transmite uma mensagem. Segundo ela, omitir-se diante de uma fala racista pode funcionar como consentimento. Por isso, a postura antirracista exige ação e posicionamento responsável. “Hoje temos argumentos e informações suficientes para nomear o problema. Isso é racismo. Isso é violência”, afirma. Ela ressalta, no entanto, que a reação deve considerar o contexto e buscar uma abordagem pedagógica, sem deixar de interromper a naturalização da violência. Redes sociais digitais: espaço de disputa e resistência As redes sociais também são vistas como espaços importantes na luta antirracista. Embora possam reproduzir discursos de ódio e violência, elas também ampliam a visibilidade de comunicadores negros, movimentos sociais e iniciativas independentes. Segundo Ohana, a internet permitiu o fortalecimento do jornalismo independente e abriu espaço para produções que antes eram invisibilizadas. Nesse cenário, produzir conteúdo educativo, denunciar desigualdades e ampliar a representatividade negra tornam-se estratégias fundamentais de resistência. Como docente, Ohana defende que educadores têm papel essencial na construção de uma sociedade antirracista. Ela acredita que práticas pedagógicas devem incluir autores negros, metodologias inclusivas e espaços de diálogo acolhedores. Além disso, o debate sobre racismo não pode ficar restrito a datas comemorativas. “É preciso tratar a educação antirracista como prática contínua, não como pauta pontual”, afirma. A docente também destaca a importância de criar ambientes seguros para que estudantes compartilhem experiências pessoais e desenvolvam pensamento crítico, já que crianças e adolescentes podem aprender desde cedo formas de comunicação mais respeitosas e antirracistas. Para isso, é fundamental investir em representatividade, diversidade e convivência baseada no respeito às diferenças. Segundo ela, quando crianças negras veem pessoas parecidas com elas ocupando espaços de destaque, isso fortalece a autoestima, o pertencimento e o reconhecimento social. Referências para estudar comunicação antirracista Entre as referências indicadas pela pesquisadora estão obras de Djamila Ribeiro, especialmente os livros da coleção Feminismos Plurais, além do Pequeno Manual Antirracista. Ela também destaca o trabalho do Instituto Odara, do veículo Alma Preta Jornalismo, do Notícia Preta e do coletivo Nós, Mulheres da Periferia. Entre os podcasts recomendados estão Mano a Mano, apresentado por Mano Brown, além de História Preta e Afetos Podcast. Ohana palestra sobre mulheres negras. Foto: Acervo Pessoal / Ohana Luize No Piauí, ela cita iniciativas como o Ocorre Diário e o site Negrê como exemplos importantes de comunicação comprometida com pautas antirracistas. Para quem deseja começar a praticar uma comunicação antirracista no cotidiano, Ohana resume o caminho em três atitudes principais: ouvir mais pessoas negras, observar criticamente comportamentos naturalizados e não se omitir diante do racismo. Segundo ela, o combate à discriminação racial passa necessariamente pela forma como a sociedade comunica, educa e constrói narrativas. “Não dá mais para silenciar. A comunicação antirracista existe justamente para interromper esses silêncios”
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Conteúdos especiais sobre comunicação, educação, cultura e transformação social.

Educomunicação amplia formas de aprendizagem no Brasil e fortalece o protagonismo estudantil
A integração entre educação e comunicação tem ganhado cada vez mais espaço nas salas de aula brasileiras. Conhecida como Educomunicação, essa abordagem propõe transformar alunos, professores e comunidades em protagonistas do processo educativo, indo além do papel tradicional de telespectadores de informação. A Educomunicação se consolida como uma metodologia que une práticas pedagógicas e ferramentas comunicativas de forma orgânica. Na prática, isso significa que os estudantes deixam de apenas consumir conteúdos e passam a produzir conhecimento por meio de diferentes ferramentas midiáticas, como podcasts e vídeos, que serão veiculadas em diferentes meios, como rádio, televisão e internet. De acordo com a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPPEducom), a Educomunicação reúne um conjunto de referências voltadas à criação e ao fortalecimento de ambientes comunicativos abertos e democráticos dentro do contexto educacional. A proposta inclui a gestão compartilhada de linguagens, tecnologias e recursos de comunicação, incentivando a expressão e o protagonismo dos indivíduos. A ABPPEducom aponta que a principal contribuição dessa abordagem está no desenvolvimento do chamado “coeficiente comunicativo”, que é a capacidade de se expressar de forma clara, crítica e eficaz utilizando diferentes meios. Além disso, a Educomunicação também estimula a leitura crítica da mídia, o uso consciente da informação e o diálogo colaborativo. No Brasil, a área da Educomunicação já apresenta avanços significativos, com reconhecimento acadêmico, produção científica e políticas públicas voltadas à área. Um dos exemplos é o projeto “Imprensa Jovem”, criado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que incentiva estudantes a produzirem conteúdo jornalístico dentro das escolas. No Piauí, iniciativas recentes indicam um cenário promissor. Programas como o II STEAM Tech Camp Piauí têm capacitado professores e incentivado metodologias voltadas ao protagonismo estudantil e à interação com tecnologias. Outro destaque é o Projeto Jovens Radialistas do Semiárido, que utiliza o rádio como ferramenta de desenvolvimento local e inclusão social de jovens. A UFPI também tem contribuído com pesquisas na área. Estudos conduzidos pela professora Patrícia Maria Martins Nápolis, em parceria com a graduanda Jociara Pinheiro Luz, utilizam a rádio universitária como meio de difusão científica, trazendo temas como tecnologia e inovação para o dia-a-dia da população ouvinte. Experiências como essas representam avanços importantes rumo à consolidação da Educomunicação no Piauí, ainda que desafios estruturais, como acesso à internet e inclusão digital, persistam. Aplicações práticas em sala de aula A Educomunicação se traduz em diversas práticas no ambiente escolar. Entre elas estão a criação de rádios escolares, onde alunos produzem programas e entrevistas; podcasts com debates e reflexões; produção de vídeos sobre temas sociais e culturais; jornais murais com notícias e textos autorais; além do uso de blogs e redes sociais educativas. Essas iniciativas transformam a sala de aula em um espaço dinâmico de produção e troca de conhecimento, incentivando a criatividade, o pensamento crítico e a participação ativa dos estudantes. Internet amplia possibilidades Com o avanço das tecnologias digitais, a internet se tornou uma das principais aliadas da Educomunicação. Plataformas online permitem que estudantes assumam o papel de criadores de conteúdo, utilizando redes sociais e sites como ferramentas pedagógicas. É nesse ambiente que a comunicação acontece de forma colaborativa, promovendo a troca de saberes e o trabalho coletivo. Além disso, o uso da internet contribui para o desenvolvimento da autonomia dos alunos, que passam a interpretar, questionar e refletir sobre as informações que consomem. Ao estimular a participação ativa e o pensamento crítico, a Educomunicação se firma como uma estratégia relevante para a formação de cidadãos mais conscientes, criativos e preparados para os desafios da sociedade contemporânea.
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Educomunicação transforma práticas em sala de aula e estimula protagonismo estudantil
A adoção de práticas educomunicativas nas escolas brasileiras tem promovido mudanças significativas na forma como o ensino e a aprendizagem acontecem. Ao integrar ferramentas de comunicação ao cotidiano escolar, a educomunicação transforma a sala de aula em um ambiente dinâmico, colaborativo e centrado no protagonismo dos estudantes. A proposta vai além do uso de tecnologias: trata-se de uma mudança de postura pedagógica. Em vez de apenas receber conteúdos, os alunos passam a produzir informação, exercitando habilidades como escrita, argumentação, criatividade e pensamento crítico. Professores, por sua vez, assumem o papel de mediadores, orientando a construção coletiva do conhecimento. Entre as aplicações práticas mais comuns está a rádio escolar, onde estudantes produzem programas, realizam entrevistas e compartilham notícias da comunidade. A atividade estimula a oralidade, a organização de ideias e o trabalho em equipe, além de aproximar a escola da realidade local. Outra ferramenta amplamente utilizada é o podcast educativo, formato que vem ganhando popularidade por sua acessibilidade e flexibilidade. Nele, os alunos podem debater temas atuais, apresentar pesquisas e desenvolver narrativas, exercitando tanto a comunicação quanto a capacidade de análise crítica. A produção de vídeos também se destaca como estratégia pedagógica. Ao criar conteúdos audiovisuais sobre questões sociais, ambientais ou culturais, os estudantes desenvolvem competências técnicas e reflexivas, além de aprenderem a comunicar ideias de forma clara e objetiva. O jornal mural continua sendo uma prática relevante, especialmente em contextos com menor acesso à tecnologia. Produzido coletivamente, ele reúne textos, poesias, notícias e ilustrações, incentivando a expressão escrita e a valorização da produção autoral. Já os blogs e redes sociais educativas ampliam o alcance das atividades escolares, permitindo que os conteúdos produzidos em sala sejam compartilhados com a comunidade. Essas plataformas também contribuem para o desenvolvimento da escrita digital e da responsabilidade no uso da informação. Segundo pesquisadores da área, essas práticas fortalecem o chamado ecossistema comunicativo — conceito central da educomunicação que envolve a criação de ambientes abertos ao diálogo, à participação e à construção coletiva do saber. Para o pesquisador Ismar de Oliveira Soares, um dos principais nomes do campo no Brasil, a educomunicação promove a democratização da comunicação dentro dos espaços educativos, ampliando as possibilidades de expressão e aprendizagem. Além de contribuir para o desenvolvimento acadêmico, as práticas educomunicativas também têm impacto na formação cidadã. Ao aprenderem a produzir e interpretar conteúdos midiáticos, os estudantes se tornam mais críticos diante das informações que consomem, fortalecendo sua participação social. Apesar dos avanços, especialistas apontam desafios para a ampliação dessas iniciativas, como a necessidade de formação continuada de professores e a melhoria da infraestrutura tecnológica nas escolas. Ainda assim, experiências em diferentes regiões do país mostram que, mesmo com recursos limitados, é possível implementar práticas educomunicativas de forma criativa e eficaz.
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Internet amplia alcance da educomunicação e fortalece aprendizagem colaborativa
A popularização da internet tem impulsionado novas formas de ensinar e aprender, abrindo espaço para a consolidação da educomunicação no ambiente digital. Ao utilizar plataformas online como ferramentas pedagógicas, escolas e projetos educacionais têm transformado estudantes em produtores de conteúdo e agentes ativos na construção do conhecimento. Mais do que um meio de acesso à informação, a internet se apresenta como um espaço de interação, criação e compartilhamento. Nesse contexto, a educomunicação encontra um terreno fértil para desenvolver práticas que estimulam o protagonismo estudantil, a autonomia e o pensamento crítico. Ambientes virtuais como blogs, sites educativos e redes sociais permitem que alunos publiquem textos, vídeos, podcasts e outros formatos de conteúdo, ampliando o alcance das atividades realizadas em sala de aula. Essas práticas favorecem uma comunicação horizontal, em que todos participam do processo de aprendizagem, rompendo com o modelo tradicional centrado exclusivamente no professor. De acordo com o pesquisador Ismar de Oliveira Soares, a educomunicação se baseia na criação de ecossistemas comunicativos democráticos, onde a expressão e o diálogo são incentivados. No ambiente digital, esses ecossistemas se expandem, permitindo conexões que ultrapassam os limites físicos da escola. Além disso, o uso da internet contribui para o desenvolvimento da chamada educação midiática, que envolve a capacidade de analisar, interpretar e produzir conteúdos de forma crítica e responsável. Em um cenário marcado pela circulação intensa de informações, essa competência se torna essencial para a formação cidadã. Outro aspecto relevante é o estímulo à autoria. Ao produzir conteúdos digitais, os estudantes deixam de ser apenas consumidores e passam a exercer um papel ativo na construção do conhecimento. Essa mudança fortalece a autonomia, incentiva a criatividade e promove o engajamento com os temas estudados. No entanto, especialistas alertam que o uso da internet na educomunicação também exige cuidados. Questões como desinformação, segurança digital e desigualdade no acesso às tecnologias ainda representam desafios significativos. A chamada exclusão digital, por exemplo, limita a participação de estudantes que não possuem acesso adequado à internet ou a dispositivos tecnológicos. Para a UNESCO, iniciativas de educação midiática e informacional são fundamentais para preparar cidadãos capazes de lidar com os desafios do ambiente digital. A organização defende o uso crítico e ético das tecnologias como parte essencial dos processos educativos contemporâneos. No Brasil, experiências que integram educomunicação e internet têm se multiplicado, tanto em escolas quanto em projetos sociais. Plataformas digitais vêm sendo utilizadas para divulgar produções estudantis, promover debates e conectar comunidades, reforçando o papel da comunicação como ferramenta de transformação social. Apesar dos desafios estruturais, o avanço das tecnologias digitais indica que a educomunicação na internet tende a se expandir ainda mais nos próximos anos. Ao unir educação, comunicação e tecnologia, essa abordagem contribui para formar sujeitos mais críticos, participativos e preparados para atuar em uma sociedade cada vez mais conectada.
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Comunicação antirracista: educar, ouvir e transformar pela palavra
Em uma sociedade marcada historicamente pelo racismo estrutural, a comunicação tem um papel decisivo na construção de narrativas, representações e formas de convivência. Mais do que informar, comunicar também significa disputar sentidos, questionar desigualdades e transformar realidades. É nesse contexto que ganha força a comunicação antirracista, prática que busca combater o racismo por meio da linguagem, da escuta e da valorização das vozes negras. Mestra em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Piauí (PPGCOM/UFPI), a jornalista e pesquisadora Ohana Luize destaca que a comunicação antirracista vai além da teoria acadêmica. Trata-se de uma prática cotidiana e política, voltada para a construção de uma sociedade menos marcada pela exclusão racial, já que o antirracismo exige posicionamento. Comunicação como prática de transformação Segundo Ohana, a comunicação antirracista é uma prática questionadora, que busca analisar criticamente discursos, imagens, narrativas e relações de poder que reforçam desigualdades raciais. Na prática, isso significa refletir sobre aquilo que se comunica, as histórias que ganham espaço e os grupos sociais que são constantemente silenciados. Em um cenário marcado pelas redes sociais digitais e pela circulação acelerada de conteúdos digitais, a responsabilidade dos comunicadores se torna ainda maior. Para Ohana, a comunicação antirracista também atua no enfrentamento das violências simbólicas presentes no cotidiano e amplia as possibilidades de representação da população negra nos meios de comunicação. Uma das características do racismo no Brasil é sua presença em comportamentos considerados “normais”. Comentários, piadas e expressões aparentemente inofensivas podem carregar preconceitos históricos e reforçar estereótipos. A pesquisadora explica que essas práticas foram naturalizadas ao longo do tempo, mas seus efeitos continuam produzindo exclusão e violência. Ela cita o filósofo Michel Foucault para lembrar que onde existe poder também existe resistência. Nesse sentido, movimentos sociais, pesquisadores e comunicadores têm contribuído para denunciar essas formas sutis de racismo e conscientizar a população. “A comunicação antirracista também é educativa. Ela chama atenção para os comportamentos cotidianos e para aquilo que muitas vezes foi tratado como normal”, ressalta. Ohana palestra no evento Favela F5. Foto: Acervo Pessoal / Ohana Luize. A linguagem nunca é neutra Outro ponto central destacado por Ohana é o papel da linguagem na manutenção das desigualdades raciais. Segundo ela, palavras, imagens e discursos carregam valores culturais e históricos. No jornalismo e na comunicação, isso significa questionar como as pessoas negras são representadas nas narrativas midiáticas. Durante muito tempo, essas representações estiveram associadas a lugares de inferioridade, violência ou exclusão. Para a pesquisadora, a comunicação antirracista rompe com a ideia de neutralidade absoluta da linguagem e propõe uma revisão crítica das estruturas discursivas. “É preciso questionar por que pessoas negras aparecem sempre associadas aos mesmos lugares e construir outras formas de comunicação”, explica. A escuta ativa aparece como um dos pilares da comunicação antirracista. Para Ohana, não basta falar sobre racismo sem colocar pessoas negras no centro do debate. Isso envolve criar espaços de fala, acolher experiências e romper com o silenciamento histórico. Mais do que fontes de entrevistas, pessoas negras devem ocupar posições de protagonismo na produção de conteúdo, no jornalismo e na educação. A pesquisadora destaca ainda que a comunicação antirracista não deve focar apenas na dor, mas também nas potencialidades, histórias e conquistas da população negra. Ao comentar sobre situações de racismo em ambientes familiares, escolares ou profissionais, Ohana afirma que o silêncio diante da discriminação também transmite uma mensagem. Segundo ela, omitir-se diante de uma fala racista pode funcionar como consentimento. Por isso, a postura antirracista exige ação e posicionamento responsável. “Hoje temos argumentos e informações suficientes para nomear o problema. Isso é racismo. Isso é violência”, afirma. Ela ressalta, no entanto, que a reação deve considerar o contexto e buscar uma abordagem pedagógica, sem deixar de interromper a naturalização da violência. Redes sociais digitais: espaço de disputa e resistência As redes sociais também são vistas como espaços importantes na luta antirracista. Embora possam reproduzir discursos de ódio e violência, elas também ampliam a visibilidade de comunicadores negros, movimentos sociais e iniciativas independentes. Segundo Ohana, a internet permitiu o fortalecimento do jornalismo independente e abriu espaço para produções que antes eram invisibilizadas. Nesse cenário, produzir conteúdo educativo, denunciar desigualdades e ampliar a representatividade negra tornam-se estratégias fundamentais de resistência. Como docente, Ohana defende que educadores têm papel essencial na construção de uma sociedade antirracista. Ela acredita que práticas pedagógicas devem incluir autores negros, metodologias inclusivas e espaços de diálogo acolhedores. Além disso, o debate sobre racismo não pode ficar restrito a datas comemorativas. “É preciso tratar a educação antirracista como prática contínua, não como pauta pontual”, afirma. A docente também destaca a importância de criar ambientes seguros para que estudantes compartilhem experiências pessoais e desenvolvam pensamento crítico, já que crianças e adolescentes podem aprender desde cedo formas de comunicação mais respeitosas e antirracistas. Para isso, é fundamental investir em representatividade, diversidade e convivência baseada no respeito às diferenças. Segundo ela, quando crianças negras veem pessoas parecidas com elas ocupando espaços de destaque, isso fortalece a autoestima, o pertencimento e o reconhecimento social. Referências para estudar comunicação antirracista Entre as referências indicadas pela pesquisadora estão obras de Djamila Ribeiro, especialmente os livros da coleção Feminismos Plurais, além do Pequeno Manual Antirracista. Ela também destaca o trabalho do Instituto Odara, do veículo Alma Preta Jornalismo, do Notícia Preta e do coletivo Nós, Mulheres da Periferia. Entre os podcasts recomendados estão Mano a Mano, apresentado por Mano Brown, além de História Preta e Afetos Podcast. Ohana palestra sobre mulheres negras. Foto: Acervo Pessoal / Ohana Luize No Piauí, ela cita iniciativas como o Ocorre Diário e o site Negrê como exemplos importantes de comunicação comprometida com pautas antirracistas. Para quem deseja começar a praticar uma comunicação antirracista no cotidiano, Ohana resume o caminho em três atitudes principais: ouvir mais pessoas negras, observar criticamente comportamentos naturalizados e não se omitir diante do racismo. Segundo ela, o combate à discriminação racial passa necessariamente pela forma como a sociedade comunica, educa e constrói narrativas. “Não dá mais para silenciar. A comunicação antirracista existe justamente para interromper esses silêncios”
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Entre a conectividade e a desinformação: os desafios da exclusão digital no Brasil
Em um mundo cada vez mais conectado, o acesso à internet passou a ser considerado essencial para estudar, trabalhar, se informar e participar da vida social. No entanto, milhões de brasileiros ainda enfrentam obstáculos para acessar tecnologias digitais de forma plena e crítica. A exclusão digital, que envolve não apenas a falta de internet, mas também a ausência de letramento midiático e estrutura educacional, continua sendo um desafio especialmente em regiões periféricas e interioranas do país. A pesquisadora e doutora em Comunicação Marta Alencar é idealizadora da COAR Notícias (@coarnoticia), um projeto independente que trabalha com checagem de fatos e o combate a fake news. Ela também estuda Comunicação, letramento midiático e desertos de notícias. Segundo ela, a exclusão digital vai muito além da falta de conexão. Questões geográficas, econômicas e educacionais se entrelaçam e dificultam o acesso à informação de qualidade. Desigualdade digital no interior do Brasil Marta destaca que muitas comunidades quilombolas, indígenas e rurais ainda convivem com a ausência de internet e até mesmo de energia elétrica. Em diversos povoados do Nordeste brasileiro, por exemplo, famílias precisam lidar diariamente com a precariedade da infraestrutura tecnológica. Além disso, escolas de cidades pequenas frequentemente possuem laboratórios sem funcionamento adequado, computadores insuficientes ou falta de conexão com a internet. “Isso também é uma forma de exclusão digital”, afirma a pesquisadora. Para ela, a ausência de investimentos públicos em educação tecnológica contribui para ampliar desigualdades sociais já existentes. Apesar da expansão do acesso aos celulares e às redes sociais digitais, Marta reforça que conexão não é sinônimo de informação de qualidade. Segundo ela, muitas pessoas recebem conteúdos diariamente pelo WhatsApp ou pelas redes sociais digitais sem compreender completamente o que estão consumindo. “Ter internet não significa ter conexão”, diz ela. Nesse contexto, o letramento midiático torna-se fundamental. Mais do que saber utilizar um aparelho celular, é necessário desenvolver senso crítico para interpretar, verificar e questionar as informações recebidas. Inspirada nas ideias do educador Paulo Freire, Marta defende uma educação que valorize a realidade das comunidades e ajude as pessoas a compreenderem os meios de comunicação que consomem. “As pessoas precisam entender por que acessam determinadas plataformas e quais informações estão recebendo”, explica. Durante sua pesquisa em comunidades rurais de São Pedro do Piauí e Itaueira, Marta observou que muitos moradores dependiam de um único ponto de acesso à internet localizado em escolas da comunidade. Em alguns casos, os próprios moradores se organizaram para instalar conexão via fibra óptica. Mesmo assim, o acesso continuava limitado. Muitas famílias não possuíam internet em casa, e a precariedade da infraestrutura escolar dificultava o uso das tecnologias digitais de forma contínua. Marta e o cordelista Eudes Sousa. Foto: Acervo Pessoal / Marta Alencar Segundo a pesquisadora, essa realidade deixa as populações mais vulneráveis à desinformação e aos impactos da corrupção e da ausência de políticas públicas eficientes, tornando-os suscetíveis a virarem “desertos de notícias”. O que são “desertos de notícias”? Outro conceito abordado por Marta é o de “desertos de notícias”, criado pela pesquisadora norte-americana Penelope Muse Abernathy. O termo se refere a localidades que possuem pouca ou nenhuma cobertura jornalística local. Nesses lugares, a população muitas vezes depende exclusivamente de grupos de WhatsApp, páginas de humor nas redes sociais digitais ou comunicados institucionais para se informar. Isso aumenta a vulnerabilidade informacional e dificulta o acesso a notícias verificadas. Segundo Marta, mesmo em cidades classificadas como desertos de notícias, as pessoas continuam trocando informações. O problema é que nem sempre possuem ferramentas para distinguir conteúdos confiáveis de desinformação. Em muitas pequenas cidades, as redes sociais digitais se tornaram a principal fonte de informação. Entretanto, a ausência de leitura crítica da mídia pode facilitar a circulação de boatos, fake news e conteúdos manipulados. Marta cita o caso de uma página de humor em São Pedro do Piauí que, apesar de não ter caráter jornalístico, era vista pela população como principal fonte informativa da cidade. “As pessoas ficam extremamente vulneráveis quando não existe orientação sobre como checar informações”, alerta. O avanço da Inteligência Artificial (IA) e a proximidade de períodos eleitorais tornam o cenário ainda mais preocupante, já que conteúdos falsos podem circular com mais facilidade e aparência de veracidade, devido à alta propagação com os smartphones. Celular não é sinônimo de letramento midiático Para Marta, o letramento midiático envolve a compreensão das seguintes habilidades: - distinguir fontes confiáveis; - reconhecer a desinformação; e saber como verificar notícias. Tratam-se de habilidades ligadas à cidadania e à participação social. Ela diz que simplesmente saber usar um celular é diferente, por exemplo, de um verdadeiro letramento midiático. Como exemplo, Marta cita o caso de um morador da Zona Rural que utilizava o aparelho apenas para enviar áudios, pois não sabia ler, mas que, por isso teria dificuldades de entender criticamente as informações. Ela também destaca a importância do documento da UNESCO sobre alfabetização midiática e informacional, publicado em 2011, que propõe estratégias para preparar professores e alunos para lidar criticamente com as mídias digitais. Assim, a escola aparece como um espaço essencial no combate à desinformação. Segundo Marta, professores e instituições de ensino têm papel decisivo na construção do pensamento crítico dos estudantes. Marta ressalta que fake news e desinformação também circulam dentro do ambiente escolar, muitas vezes causando conflitos, cancelamentos e impactos emocionais graves entre os alunos. Por isso, ensinar práticas de checagem e estimular o diálogo são atitudes fundamentais para reduzir a propagação de informações falsas. Cordel, linguagem regional e educação midiática Uma das estratégias defendidas por Marta é o uso de linguagens populares e regionais no processo educativo. Em seus projetos, ela utiliza cordéis em áudio, texto e formato digital para aproximar o letramento midiático das comunidades. Segundo a pesquisadora, quando a informação é apresentada em uma linguagem próxima da realidade das pessoas, o aprendizado se torna mais acessível e eficiente, e algumas atitudes simples podem ajudar a reduzir a propagação da desinformação, tais como: ● Pesquisar antes de compartilhar; ● Verificar a origem da informação; ● Buscar fontes confiáveis; ● Desconfiar de conteúdos alarmistas ou “bons demais para serem verdade”; ● Conversar com pessoas de confiança; ● Consultar veículos jornalísticos reconhecidos. Ela também alerta para golpes digitais e ligações suspeitas que solicitam dados pessoais, prática cada vez mais comum em ambientes online. Foto: Acervo Pessoal / Marta Alencar Informação de qualidade como direito social A discussão sobre exclusão digital vai além do acesso à tecnologia. Ela envolve cidadania, educação e participação democrática. Sem acesso à informação de qualidade e sem ferramentas para interpretar criticamente os conteúdos digitais, milhões de brasileiros continuam vulneráveis à manipulação e à desinformação. Nesse cenário, iniciativas de letramento midiático, educação digital e fortalecimento do jornalismo local surgem como caminhos fundamentais para construir uma sociedade mais informada e crítica. Acesse o Manual de Checagem em Cordel aqui.
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Literatura em tempos de algoritmo: como ensinar e engajar nas redes sociais
A presença da literatura nas redes sociais digitais deixou de ser apenas uma tendência e passou a ocupar um espaço estratégico na formação de novos leitores. Em um cenário dominado por vídeos curtos, algoritmos e consumo rápido de conteúdo, produtores digitais enfrentam o desafio de transformar obras densas em materiais acessíveis, sem perder a profundidade. A criadora de conteúdo e mestra em Literatura Susy Oliveira, além de professora, também atua com comunicação literária nas redes, compartilhando estratégias e reflexões sobre esse processo. Segundo Susy, a lógica das plataformas exige adaptações constantes. Redes como Instagram priorizam vídeos curtos, o que impõe limites para abordagens mais aprofundadas. “Infelizmente, precisamos nos adaptar aos algoritmos se quisermos continuar utilizando a internet para divulgar literatura”, afirma. Como alternativa, ela sugere diversificar os canais, levando discussões mais complexas para plataformas que permitem maior duração, como YouTube e TikTok. Ainda assim, um dos principais desafios é tornar o conteúdo literário leve e atrativo. Para isso, Susy aposta na aproximação entre ficção e realidade. Ao relacionar personagens e enredos com situações do cotidiano, ela cria uma conexão mais íntima com o público. Essa estratégia estimula a curiosidade e facilita a compreensão, sem necessariamente simplificar em excesso. O uso do storytelling é visto como essencial na comunicação digital. “O ser humano adora uma boa história”, destaca Susy. Ao desenvolver uma narrativa envolvente e encontrar um estilo próprio, o criador de conteúdo consegue não apenas informar, mas também construir uma comunidade engajada, que acompanha e interage com o conteúdo. Traduzir obras complexas para formatos mais simples é uma tarefa delicada. Há sempre o risco de superficialidade, mas Susy acredita na capacidade de compreensão do público. Para ela, o caminho está no diálogo: apresentar contexto histórico, discutir autoria e explorar as mensagens da obra. “Criar um ambiente de familiaridade com o universo literário é o único caminho possível”, explica. Entretenimento e educação: um equilíbrio necessário Equilibrar conteúdo educativo e entretenimento não é uma fórmula exata. Susy destaca que o estudo contínuo é fundamental para manter a qualidade do conteúdo. Ao mesmo tempo, ela reconhece que, uma vez publicado, o material ganha múltiplas interpretações. Por isso, sua abordagem busca permanecer no campo didático, sem abrir mão da leveza. As citações literárias também ganham novos formatos nas redes. Susy utiliza trends e linguagens populares para dar destaque a autores e obras, sempre valorizando a autoria. Um exemplo é a adaptação de expressões da internet para apresentar clássicos, aproximando o público de nomes importantes da literatura de forma criativa e acessível. No ambiente digital, o visual é determinante. Conteúdos sem apelo estético tendem a se perder em meio ao excesso de informação. Por isso, Susy reforça a importância de investir em identidade visual, seja por meio de estudo próprio ou com o apoio de profissionais especializados. Susy sendo presenteada pelos alunos. Foto: Susy Oliveira / Acervo Pessoal Por onde começar? Para quem deseja iniciar na produção de conteúdo literário, a recomendação é clara: foco e autenticidade. Em vez de abordar todos os temas, é mais eficaz escolher um nicho específico e desenvolver uma perspectiva própria. “Sempre há uma forma interessante de falar sobre qualquer assunto, mas não é necessário falar sobre tudo”, conclui. A experiência de Susy evidencia que a literatura pode não apenas sobreviver, mas também se reinventar nas redes sociais. Com estratégias adequadas, criatividade e compromisso educativo, é possível formar leitores e ampliar o acesso ao universo literário em plena era digital.
Ler matéria →Projetos produzidos na graduação.
Vídeos, podcasts, revistas digitais e produções.
Acessar acervoSaiba Mais
Notas rápidas, registros fotográficos e publicações curtas produzidas pela redação.

Dicas para enfrentar crises de ansiedade e estresse emocional
Momentos de ansiedade intensa e estresse emocional podem afetar a rotina, a concentração e o bem-estar emocional. Nessas situações, algumas estratégias simples podem ajudar a reduzir os sintomas e trazer mais sensação de controle. De acordo com o psicólogo Tyrone Miranda, procurar um local mais calmo e conversar com alguém de confiança são atitudes importantes durante uma crise emocional. Exercícios de respiração, redução de estímulos e práticas de autocuidado também podem ajudar o corpo e a mente a desacelerar. Outras técnicas simples incluem: ● desenhar, escrever ou ouvir música; ● focar em objetos e detalhes do ambiente; ● listar elementos ao redor para organizar os pensamentos; ● utilizar estratégias de regulação emocional, como segurar gelo. Essas práticas podem auxiliar em momentos emergenciais e ajudam a aliviar a ansiedade temporariamente. No entanto, Tyrone reforça que, quando os sintomas se tornam frequentes ou intensos, é importante buscar acompanhamento psicológico e apoio profissional adequado.
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Dicas para atuar na comunicação popular
A comunicação popular vem ganhando força entre jovens que desejam transformar suas comunidades por meio da informação, da escuta e da participação coletiva. Produzir conteúdos comunitários vai além de divulgar notícias: é uma forma de dar visibilidade às histórias, desafios e potências do território. O jornalista Luan Matheus Santana destaca que o primeiro passo é observar a realidade ao redor e ouvir atentamente as pessoas da comunidade. Segundo ele, utilizar uma linguagem simples, acolhedora e próxima do cotidiano ajuda a fortalecer o diálogo e aproximar os moradores das pautas locais. Entre as principais orientações para quem deseja atuar no jornalismo popular estão: ● valorizar experiências e memórias locais; ● usar as redes sociais digitais como ferramentas de mobilização; ● estudar educação midiática e combate à desinformação; ● trabalhar de forma coletiva; ● respeitar as pessoas retratadas nas histórias. Na prática, jovens comunicadores podem começar criando grupos de diálogo, identificando problemas do bairro e registrando histórias da comunidade com ferramentas acessíveis, como WhatsApp e redes sociais digitais. Também é importante destacar artistas, lideranças e iniciativas locais, construindo conteúdos junto com os moradores. A comunicação popular fortalece a participação social e contribui para que diferentes vozes sejam ouvidas dentro da comunidade.
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Dicas para produzir conteúdo literário nas redes sociais digitais
As redes sociais digitais têm se tornado espaços importantes para incentivar a leitura e aproximar novos públicos da literatura. Para jovens que desejam começar a produzir conteúdo literário, especialistas destacam que autenticidade e foco são essenciais. Segundo a jornalista Susy Oliveira, em vez de tentar falar sobre todos os assuntos, o ideal é escolher um nicho específico e desenvolver uma forma própria de se comunicar. Para ela, qualquer tema pode se tornar interessante quando apresentado com criatividade e identidade. A experiência de Susy mostra que a literatura pode se reinventar no ambiente digital, utilizando vídeos, recomendações de livros e debates para estimular o hábito da leitura. Além disso, conteúdos educativos nas redes ajudam a ampliar o acesso ao universo literário e aproximar jovens leitores. Com criatividade, constância e compromisso com a informação, a produção de conteúdo literário pode se tornar uma ferramenta importante de incentivo à cultura e à educação na era digital.
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